@Lenry

the-queen-annes-revenge:

Suspirei. A respiração parecia cada vez mais pesada em meu peito. Meus dedos pálidos fecharam-se em um punho. Não sabia mais o que pensar. Olhei de soslaio a garota. Suspirei novamente. Minha cabeça estava mais confusa do que nunca, porém, em meu âmago, sentia vontade de reconfortar Penélope. Sentei-me ao seu lado e fitei-a. Era difícil para mim encara-la abertamente, porém era a única coisa que me restava a fazer: sentar e conversar. Precisávamos resolver aquilo. Precisávamos naquele momento. Observei a mulher, que parecia refletir sobre alguma coisa. Dei de ombros. A distancia entre nós era considerável, afinal, eu não sabia mais se éramos íntimos um do outro. Talvez toda aquela baboseira estivesse nos afastando. Talvez não, talvez fosse apenas paranoia minha. Voltei a dar de ombros, desviando meu olhar para o chão sem dizer nada. Me sentia covarde. Um covarde sujo e desprezível. Fechei os olhos e suspirei novamente. Mordi meu lábio inferior, contendo as perguntas em minha mente. Tinha que pensar sobre tudo antes de poder pronunciar algo sem me arrepender. - Você sabe que não vai demorar muito até a noticia de dois marujos de navios inimigos brigando na porta de um bordel por… - Hesitei. - Ciumes, talvez? - Minha voz soou rouca em  meus ouvidos. Pigarreei, continuando. - O que você quer fazer, Penélope? - Coloquei minha mão em seu queixo, segurando-o levemente e fazendo com que a mulher se virasse para mim. - Você quer assumir os riscos? - Perguntei, com a respiração presa em meu peito, enquanto ansiava por uma resposta.

Riscos eu já havia assumido quase todos. Desde quando eu havia admitido para ele que, sim, eu gostava dele. Desde quando ele havia entregado-me o anel na noite em que nos conhecemos. E agora quando soltei as palavras que estavam entaladas em minha garganta desde quando ele saíra da cabine naquele noite. Eu nunca o entregaria para ninguém que o fizesse mal. Olhei para o anel o qual eu ainda não tinha tirado do dedo, parecia tão estupido da minha parte continuar com aquilo ali, mas eu gostava dele e mesmo que eu não quisesse admitir, me fazia lembrar do maldito que confundia meus pensamentos.  - Eu já os assumi há muito tempo, Henry. - Falei, dando a ele um meio sorriso e obrigando-me a encarar seus olhos. O pensamento terrível de que eu estava me entregando de uma forma tão fácil voltou. E que talvez Henry Scarr, na primeira oportunidade, jogaria-me em uma prancha e provavelmente me espetaria na costa com uma espada super afiada capaz de perfurar meu corpo inteiro até eu cair no mar e ser devorada por tubarões famintos. Mas, já era tarde demais. - E você? Está disposto a assumir os riscos? - Perguntei, tentando ao máximo não desviar o olhar. Ele hesitou. Sabia que sua mente tentava entender o que estava se passando e o quanto ele estava confuso, tentando escolher entre sua vida e me entregar para seu capitão. - Henr… - Ele não deixou que eu terminasse, apenas segurou meu rosto com força e selou nossos lábios. Não esperava essa reação, não sabia o que significava e posso admitir que me assustou um pouco, mas acabei por me deixar levar pelo toque bruto e selvagem de seus lábios nos meus. Aos poucos, nosso beijo foi transformando-se em algo mais quente e não iria demorar muito para depois, nós dois estarmos deitados ali mesmo, mas a pergunta ainda estava gritando e fazendo eco na minha cabeça. Separei-me lentamente dele, fazendo todo o esforço do mundo pois não tinha algo mais difícil do que me desvencilhar dos toques fervorosos de Henry. - Eu preciso que você me responda. Isso foi um sim ou não? - Perguntei, desta vez, não deixando que seus olhos se desviassem do meu. Eu queria ler cada pedaço de verdade e mentira em sua resposta. 

1/4/2012 . 19 notes . Reblog
lembro desse dia
acordei n sabia nem onde tava sos 
#sdds #ficar #sobria

lembro desse dia

acordei n sabia nem onde tava sos 

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31/3/2012 . 5 notes . Reblog

tumblrbot asked: WHAT MAKES YOU FEEL BETTER WHEN YOU ARE IN A BAD MOOD?

Matar pessoas e roubar vilas é legal… Dançar também. Depende do dia. 

31/3/2012 . 0 notes . Reblog
@Lenry

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Soltei um sorriso sarcástico enquanto Penélope falava. - Quem é que estava gritando e esperneando ali a pouco? Na frente de todos? - Senti as palavras saírem ríspidas por minha boca e me arrependi quase de imediato. Eu estava muito bravo, porém não podia apenas descontar em Lopie. A culpa não lhe pertencia totalmente, afinal. Tirei suas mãos de meu rosto, refletindo sobre sua frase: “Você lembra o que me disse naquela noite na cabine? Que nós íamos dar um jeito.”. Bom, de certo não havia jeito a ser dado agora. Levantei-me se súbito, em um pulo. Meu humor oscilante chegava a me espantar as vezes. A calmaria tomou conta de mim e eu deixei que outros sentimentos se afastassem lentamente de minha mente, escorregando para uma parte sombria de meus pensamentos. Uma parte na qual eu não ousava tocar. Suspirei profundo e pesadamente, a compreensão tomava conta de mim. Talvez fosse paranoia, mas aos meus olhos, não podia ser. Virei-me para Lefevre, que jazia sentada no chão e fitava-me. Perguntei-me qual era o plano dela, de que modo pretendia me entregar a Voncova. Todos sabiam, inclusive eu, que a capitã do outro navio pretendia atacar Dunk havia muito tempo, e sentia, cada vez mais intensamente, que a hora da guerra estava para começar. Perguntei-me se Lopie o sentia também, perguntei-me se tudo aquilo não passava de uma encenação, se ela não estava apenas me enganando com mentiras mal contadas. Suspirei e senti algo formar-se em minha garganta. Uma vontade louca de gritar assolou minhas cordas vocais. Mordi o lábio inferior, contendo o que quer que estivesse por vir. O gosto metálico do sangue invadiu minha boca quase de imediato e eu o engoli. Apenas agora notava que minhas mãos tremiam de raiva. Raiva de quem? Raiva de mim? De Lopie? Talvez Dunk ou Voncova, apenas por existirem. Eu me sentia como um traidor, como podia ter raiva de meu próprio capitão? Não podia. Sacudi a cabeça, livrando-me do pensamento. Eu era leal, não importa o que acontecesse. Eu era melhor do que qualquer traidorzinho. De súbito, lembrei-me de quem era. Era Henry Scarr, era o galanteador, o assassino, o ladrão. Não era o apaixonado. Não era quem amava as mulheres, as mulheres me amavam e eu jogava com elas. Meu tipo de jogo predileto, alias. Mas sentia-me fraco ao lado de Lefevre, era como se ela pudesse quebrar a barreira que eu construíra a muito em volta daquilo que chamam de coração. Eu não acreditava em amor, isso era certo. Porém, quando estava com Penélope, as coisas mudavam. Tudo começava a fazer o minimo de sentido, e isso não me agradava nem um pouco. Não sabia se ela notava o impasse que corria em minha mente. Acreditar ou não acreditar? Algo no fundo de meu ser queria realmente crer no fato de Lopie de me amar, mas em minha mente algo alertava-me. Passei as mãos pelos cabelos. - Não acredito em você. - Murmurei para a pirata, que já não estava mais sentada. Não acreditava, por mais que quisesse. Não podia. Não era como se fizesse sentido algum para mim. Suspirei, aturdido.

O quão cego e teimoso Henry Scarr poderia ser? Era a pergunta que se destacava na minha mente. Claro que outras como “Será que irei morrer? Será que Voncova vai me deixar escapar? E Henry? Dunk o mataria também?” também estavam me atormentando, mas para estas eu já tinha as respostas na ponta da língua e não eram nadas agradáveis. Era inacreditável que mesmo depois de tudo que lhe disse ele não acreditasse em mim, tão típico dele. Eu nunca fora uma pessoa de falar sobre meus sentimentos, isso sempre fora babaquice para mim. Mas parecia-me que agora eu era a vítima deles. - Henry. Você sabe que… - Comecei a dizer, o tom de voz baixo, com uma incerteza imensa crescendo no meu peito. A coisa mais difícil que faria, escolher entre Henry e minha tripulação. Como falaria para ele que não o entregaria para Voncova se nem eu mesma tinha certeza se faria isto? Eu havia dado duro para chegar onde estava. Minha mente estava tão confusa. Suspirei e disse por fim. - Não te entregarei para Voncova. - Sabia que ao falar isso, tinha entregado a ele todas as chances para me matar, para ele me entregar a Dunk. Henry Scarr agora sabia que meu ponto fraco era ele mesmo. Senti-me suja por trair Katherine e os outros marujos daquele jeito, eu que sempre me disse tão fiel, que sempre jurei fazer de tudo para o bem da tripulação, estava traindo a mesma do pior jeito possível. Era duro até de pensar naquilo. Horrível ter que admitir que um sentimento tão banal e subestimado por mim havia me atingido da pior forma possível. Era uma merda que eu estava traindo a tripulação que me acolheu por um mero caso, mas eu sabia que no fundo não era apenas um romance passageiro. Não para mim. Não estava encarando Henry, não queria olhá-lo nos olhos agora. Aqueles malditos olhos negros que me intimidavam tanto. - Eu sou tão fraca. - Murmurei, tão baixo que nem sei se ele pode ouvir. Havia me tornado o tipo de pessoa que sempre desprezei. Boba. Fraca. Apaixonada. Completamente desprezível e inútil. Onde estava o meu eu antigo? Havia se perdido por causa de um par de olhos negros e fundos. Parabéns, Penélope, você está acabada. 

31/3/2012 . 19 notes . Reblog
@Lenry

the-queen-annes-revenge:

Escutei a voz de Penélope gritando meu nome. Parei, ainda de costas para a mulher. O que mais ela queria ouvir? Queria ouvir que eu a odiava? Quantas mentiras mais eu teria de contar? Virei-me em sua direçao. Senti o tapa atingir meu rosto antes mesmo de distinguir quem o dava. Pessoas na rua olhavam e cochichavam. Merda merda merda merda, aquilo não era nada bom. Lágrimas desciam dos olhos de Lefevre, cruzando seu rosto. Senti uma raiva formar-se em mim. Raiva de mim mesmo. Fitei-a como se fosse uma criança fazendo escandalo, enquanto me batia e gritava. Eu queria falar com ela, explicar-lhe tudo. Queria acalma-la. Mas não podia ali, com toda aquela gente olhando. Penélope ainda gritava e batia em meu peito. - Lefevre. - Disse, porém ela não parou. - Lefreve. - Disse um pouco mais alto. - Lefreve! - Gritei, contudo a mulher se quer me olhou. Coloquei minhas mãos em seus ombros e a sacudi. - Escute, caralho! - As pessoas paravam seus deveres e nos encaravam, intrigadas. Era obvio que sabiam quem éramos. Era obvio que sabiam que não podíamos se quer nos falar. Eramos inimigos, afinal. Peguei o pulso de Lefreve e puxei-a para o beco mais próximo. Assim que coloquei meus pés onde ninguém mais podia nos ver, fitei a menina e liberei-a do aperto violento de minhas mãos. Ela ainda soluçava de leve. - O QUE ESTAVA PENSANDO, LEFEVRE? - Explodi. Senti minha voz falhar. Sentei-me no chão e passei as mãos pelos cabelos. Aquilo tudo era culpa minha. Tudo minha culpa. Tudo. - Merda, merda, merda. Por que eu sempre estrago tudo? - Murmurei para mim mesmo, cansado. Vire-me para Penélope. Senti uma raiva tomar conta de mim. Sabia o que iria acontecer agora. Iriamos morrer. Ambos. Levantei-me e chutei uns barris que haviam ali, liberando minha raiva, descontando-a em algo. Aproximei-me de Penélope e fitei-a com intensidade animal. Sabia o efeito que meus olhos negros causavam nas pessoas. - O que eu fiz foi por você. Você tem ideia disso? - Fechei os olhos. - Você tem ideia de que tudo que fiz, foi para protege-la? NÃO TEM, TEM? - Gritei. Sentei-me novamente no chão. Estava desesperado. Iriamos morrer, eu sabia. Sabia, sabia, sabia. Não queria morrer. Eu era um covarde. Não queria morrer como traidor. Não podia. Penélope não podia morrer. Eu daria minha vida para salva-la se pudesse. Senti uma agonia tomar conta de mim. Profunda, ela instalou-se em meu peito. Desde aquele momento eu soube, então. Deixei que as palavras saíssem de minha boca num sussurro. Já era hora de parar de mentir. Mentir para mim mesmo, para Lopie. - Acho que estou apaixonado por você.

Henry gritava, chutava os barris, estava completamente louco. Admito que fiquei um pouco assustada com as suas atitudes. Não pude deixar de sentir-me culpada, tinha certeza que se Voncova ou Dunk soubessem, estaríamos os dois mortos no dia seguinte. - Henry… - Falei com a voz um pouco baixa, em meio aos seus gritos ele não me ouviu. Scarr gritava coisas do tipo “Não posso deixá-la morrer, nós não podemos morrer”. Ele sentou-se, frustrado, passou as mãos pela cabeça e disse “Acho que estou apaixonado por você”. As palavras dele ecoaram repetidamente em minha cabeça. Eu não esperava que ele fosse falar, eu queria que ele falasse. Eu queria saber, mas não esperava. Eu estava em estado de choque. Tudo o que ele falara tinha provocado sentimentos diversos em mim e eu não sabia o que fazer, estava completamente desnorteada. Por um lado, eu estava feliz em saber que eu não estava pagando de idiota e sentindo algo por ele que não era recíproco. Por outro, eu sabia que o que tinha feito antes e o fato de nós dois estarmos envolvidos poderia provocar a morte de ambos e que, se não nos matassem - o que era pouco provável -, estávamos metidos em grandes problemas. Em um gesto impensado, sentei ao seu lado. - Eu tenho certeza que estou apaixonada por você e isso é uma droga. - Murmurei, de cabeça abaixada. Desde quando eu me comportava daquela maneira? Talvez admitir que estava apaixonada por ele fosse um erro, mas eu não aguentava mais guardar aquilo pra mim e continuar mentindo. - De uma coisa sabemos… Vamos acabar morrendo. - Falei com um tom de brincadeira, tentando deixar o ar mais leve, mas não obtive muito sucesso. Ele dirigiu-me um olhar frio, suspirei. Levei minhas mãos até seu rosto, não me importando se ele iria reprovar o ato ou não, e o segurei com as duas, fazendo com que seus olhos negros se fixassem nos meus. - Escute, Henry. - comecei. - Você lembra o que me disse naquela noite na cabine? Que nós íamos dar um jeito. Eu também estou confusa, também não sei o que fazer, sei que temos chances de morrer, mas gritar, chutar os barris, espernear, não vai nos ajudar agora. - Terminei, não sabia se eu tinha passado segurança o suficiente para ele, nunca fora boa com aquelas coisas, porém, gritar não adiantaria nada naquele momento. 

2/3/2012 . 19 notes . Reblog
@Lenry

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lopie-lefevre:

Por um minuto, eu realmente quase acreditara em tudo que ele tinha falado, mas sabia que ele estava mentindo. Henry não era o tipo de homem que falava essas coisas, mesmo quando se estava na cama. Semicerrei os olhos e disse com um sorriso divertido no rosto. - Scarr, admita. Essas olheiras são de noites não dormidas pensando em mim. Quem se apaixonou aqui não fui eu. - Arqueei as sobrancelhas, ainda sorrindo para ele. Apesar de que a última parte não era verdade, eu estava sendo bastante convincente ou era isso que eu achava. Vi a confusão passar de relance por seus olhos, mas logo depois desaparecer. Ele tinha aproximado nossos rostos e meu olhar havia caído sobre seus lábios, antes que ele pudesse dar qualquer resposta, colei nossos lábios, deixei que aquela sensação que sempre sentia quando nossas bocas tocavam-se me invadisse. Passei as mãos por seus cabelos e estremeci quando Henry levou as mãos até minhas costas e apertou meu corpo contra o dele.

Apertei o corpo de Lopie contra o meu, enquanto nos beijávamos. O que diabos eu estava fazendo? Não podia corresponder. Não podia. Pensei o que falariam de mim. Pensei o que meu pai pensaria de mim. Afastei nossos lábios e fitei Penélope. Eu a queria, mas não podia simplesmente dizer isso. Talvez estivesse apaixonado por ela, porém não podia deixar essa paixão crescer simplesmente. Soltei-a. - Não posso, Lefevre. - E era verdade. Não podia. Não queria. Ou queria? Não, não queria. Precisava de um tempo. Estava confuso. Olhei para a garota e notei uma incompreensão cruzar seus olhos. Dei de ombros. - Não estou apaixonado por você. Não a quero mais em minha vida, entendeu? - Aquelas palavras cortaram minha garganta ao sair. Eram mentiras, obviamente. Porém eu não podia deixar que ela notasse. - Já me enjoei de você. - Olhei-a com certo nojo. Queria que ela me odiasse, que me batesse. Seria mais fácil assim. - Você foi uma merda diversão. Desculpe te decepcionar. - Virei-me e sai andando em direção ao bordel, segurando-me para não voltar para minha Penélope. Respirei fundo, controlando-me.

As palavras dele me machucaram do mesmo modo que uma faca acertando meu peito machucaria. Senti lágrimas se formarem em meus olhos e a minha garganta fechar, minha vista ficara embaçada e eu quase não percebi quando ele havia saído da minha frente. Respirei fundo e me virei, para vê-lo de costas andando em direção ao bordel. - Henry Scarr, seu merda! - Gritei, não sabendo de onde havia tirado forças. Ele parou ainda de costas e algumas pessoas já olhavam para saber o que estava acontecendo. Não me importava mais se fofocassem que dois piratas de tripulações inimigas estiveram juntos, eu não iria conviver com aquela humilhação. Andei até ele, quando estava próxima o suficiente, acertei seu rosto com um tapa muito forte. - Você não pense que vai sair assim, me deixar assim, me humilhar desse jeito. Você não me engana, eu sei… - Disse com a voz embargada, pausei porque percebi que as lágrimas já escorriam pelo meu rosto. Não era possível que eu realmente estava me apaixonando, se já não estava apaixonada. - Eu sei que você também sente algo por mim… Eu sei, Henry… Eu sei. - Disse diminuindo o tom da minha voz, ainda estava com raiva, mas não conseguia falar em meio as lágrimas. Minha cabeça estava uma confusão só. Ele não respondeu. Irritei-me ainda mais. - Fala alguma coisa, seu filho da puta! - Gritei, dando vários tapas em seu peito, não com a intenção de machucá-lo mas para que ele se mexesse, fizesse algo.  

20/2/2012 . 19 notes . Reblog
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lopie-lefevre:

Saí da casa onde Audrey tinha apresentado-se e apertei o casaco contra mim quando senti o vento forte rasgar minha pele. Arrependi-me ligeiramente te ter saído do navio, mas precisava vir falar com Audrey. Era minha única amiga de verdade e ela tinha dito que precisava conversar comigo urgentemente, então vim. Vi sua apresentação, falei com ela e agora iria voltar ao navio, pois ela tinha clientes para atender. Não pude negar que ao entrar lá, pensei em Henry e em como aquele lugar era a cara dele. Cheio de mulheres seminuas dançando em cima de um palco. Revirei os olhos ao perceber que já estava pensando nele novamente. Desde da noite que passamos juntos, dois dias haviam se passado e eu teimava em pensar nele. Não podia pensar e nem queria. Parecia uma garotinha boba apaixonada. Mas eu não estou apaixonada. Não. Não mesmo. Balancei a cabeça tentando afastar todos aqueles pensamentos e concentrei-me em caminhar até o navio que não era tão longe dali. Andava sem olhar para frente, apenas olhando para minhas botas que batiam contra as pedras e faziam um barulho um pouco alto demais. Distraída, acabei por esbarrar em um homem na minha frente. - Que merda! Você não olha por onde anda, não? - disse, apesar de que a distraída era eu, já puxando a adaga que guardava em minha cinta-liga, pronta para ferir o homem gravemente quando meus olhos encontraram aqueles malditos olhos negros que ocupavam minha mente faziam dias. Voltei a colocar a adaga onde estava e bufei. - Merda, Henry. 

Estava decidido a ignorar meus sentimentos por Lopie e Tyra. Iria ignora-los até que fossem embora e não voltassem mais. Decidi sair de minha cabine e ir à um cabaré, distrair-me com umas putas e ter uma noite agradável que fazia a muito que não tinha. Andei pela vila procurando um lugar sofisticado. Não encontrei, por tanto, resolvi visitar o habitual cabaré nojentinho perto do porto. Caminhei por entre ruas e ruelas, desviando de caminhos movimentados, na espera - vã - de não encontrar nenhuma das mulheres que me atordoavam a mente. Eu estava completamente perdido quando alguém esbarrou em mim. A mulher trovejou palavras não muito amistosas entre dentes e eu reconheci sua voz. Merda merda merda. O que diabos ela fazia perto de um cabaré? Senti algo formar-se dentro de mim. Senti a emoção intrusa que me invadia sempre que lembrava de Penélope. - Olá. - Disse, em tom casual. Eu não me importava com ela. Não podia me importar.

Ele parecia tão indiferente, dei de ombros. - Olá, Henry. - Falei, tentando parecer tão indiferente quanto ele, mas temia que não estivesse dado tão certo. Perguntei-me por um segundo o que ele faria por ali. Então lembrei-me que estava bem na frente de um cabaré. Ri sem emoção alguma. Por que estávamos no tratando tão friamente? - Veio se divertir? - perguntei o óbvio, levando o olhar para trás onde a movimentação era grande. Entrava e saía gente de lá. 

- Um homem tem necessidades, não? - Respondi, levantando uma de minhas sobrancelhas. Eu tratarei-a como qualquer uma, pensei, suspirando. - Bem, e o que você veio fazer aqui, Lopie? - Perguntei, sem nenhum tom de emoção na voz. Eu não sentia emoções, eu as bloqueara como quem bloqueia um raio de luz com uma parede. Notei que algo brilhou atrás dos olhos da mulher e senti meu firme muro de tijolos balançar, quase deixando a pequena radiação passar por entre as rachaduras. Inspirei fundo, mantendo o controle. Eu a magoaria se fosse preciso. Não podia suportar viver com todas aquelas sensações que ela me fazia sentir. Balancei a cabeça e voltei meu foco para manter a situação sob controle.

Pensar em Henry com qualquer outra puta dentro daquele cabaré, incomodou-me um pouco. Mas não era como se ele fosse minha propriedade ou qualquer coisa assim, Henry Scarr podia fazer qualquer coisa que quisesse. Eu não me importava.  Fechei os olhos tentando não pensar naquilo e me concentrando em não falar qualquer besteira. O vento forte esvoaçou meu cabelo, fazendo uma grande parte dele ir parar bem na frente do meus olhos, tirei os fios de meu rosto e joguei todo o cabelo para trás e o prendi em um coque rapidamente, já irritada com ele cobrindo meu rosto toda vez que o vento batia. Eu não iria mais me comportar como uma garotinha boba. Aproximei-me dele, nos deixando próximos o suficiente para que eu pudesse sussurrar e ele conseguisse ouvir. - O que você acha que vim fazer aqui, Scarr? - Perguntei, agora era minha vez de arquear as sobrancelhas. Queria ver a reação dele. Sorri. 

Mordi meus dentes. Não podia deixar que ela notasse o ciumes que sentia. Aproximei-me de seu ouvido. - Brincar de ser puta? Porque com a fantasia você já está, não? - Sussurrei, afastando-me com um meio sorriso no rosto. Queria irrita-la. Queria que ela desse um tapa em minha cara e me chamasse de cafajeste. Queria que ela me ignorasse. Que me tratasse mal. Seria mais fácil se o fizesse. Porém tampouco queria. Queria, no fundo talvez, que ela dissesse que gostava de mim. Espantei os pensamentos e as emoções com um dar de ombros e desviei-me de Penélope, indo em direção ao cabaré. Torcia para que ela me deixasse ir. Não sabia quanto tempo mais poderia sustentar aquela farsa.

Senti meu rosto pegar fogo, não iria deixar que ele saísse daquele jeito. Deveria estar muito feliz consigo mesmo pensando que eu tinha ficado totalmente aborrecida - e eu estava mesmo, mas não iria deixar ele perceber -. Antes dele se afastar totalmente, puxei seu braço e com a intenção de provocá-lo, passei os dois braços por seu pescoço e deixei nossos lábios bem próximos, tão próximos que podia sentir seu hálito fresco, por um momento quase me deixei levar por seus lábios. Eu sentia tanta falta dos lábios deles nos meus. Tratei de concentrar-me em provocá-lo, rocei nossos lábios levemente e afastei nossos rostos, porém ainda com os braços envolta de seu pescoço. Henry pareceu desnorteado por um momento, sorri sarcástica e sussurrei. - Bem, parece que você gosta dessa fantasia de puta, não é mesmo? 

Me senti desnorteado. Por que diabos ela nao agia como uma pessoa normal? Por que não me dava um tapa e saia andando para o outro lado? Senti meu rosto queimar. Eu parecia um adolescente. Mordi meus dentes. Estava com raiva. Com raiva de mim. De Penélope. Agarrei sua cintura e apertei seu corpo contra o meu. Sorri. Nossos lábios roçaram de leve quando sussurrei: - Eu gosto de qualquer puta meu bem. - Podia sentir seu halito. Podia sentir sua respiração. Eu queria beija-la, queria agarra-la. Me controlei, porém não diminui a distancia entre nossos corpos.

Revirei os olhos, visivelmente irritada. Puta qualquer. Como se eu já não tivesse escutado isso antes, mas ouvir dele incomodava-me de um jeito estranho. Nossos rostos estavam muito próximos e dava para ver que nenhum dos dois iria conseguir resistir por muito tempo. Alguma coisa dizia-me que eu seria a primeira a desistir do joguinho estúpido que estávamos jogando. Respirei fundo e tratei de focar-me em ser sensual, não era uma coisa tão difícil para mim, mas era tudo tão difícil com ele, que merda. Por que ele tinha que ser tão desejável? - Bem, Scarr. Você sabe muito bem que para você, eu não sou somente uma puta qualquer. - Disse, lembrando do que ele tinha me dito no navio. Que gostava de mim. - Você tem sentimentos por mim, Henry.  

Liberei-a de meus braços e desatei a rir. - Realmente acredita que tenho sentimentos por você? - Perguntei, ainda entre risos. Controlei-me e recuperei o folego. - Meu bem, estávamos na cama. O que é dito na cama, não conta. Não para um homem, agora, para uma mulher… - Eu sabia que era mentira. Eu estava mentindo. Sentia algo por Penélope. Algo que não podia controlar. Dei de ombros, espantando o pensamento. - Como você é tola, Lefevre. Apaixonou-se pelo cavalheiro errado, sinto-lhe informar. - Aproximei-me novamente dela, sussurrando em seu ouvido: - Mas foi bom me divertir com você. Podemos repetir qualquer dia. Hoje mesmo se quiser. - Completei. Sabia dos perigos envolvidos naquela frase. Amaldiçoei-me assim que a soltei. Não aguentaria passar mais uma noite com Lopie e depois esconder meus sentimentos. Ela não iria aceitar o convite. Não podia aceitar. 

Por um minuto, eu realmente quase acreditara em tudo que ele tinha falado, mas sabia que ele estava mentindo. Henry não era o tipo de homem que falava essas coisas, mesmo quando se estava na cama. Semicerrei os olhos e disse com um sorriso divertido no rosto. - Scarr, admita. Essas olheiras são de noites não dormidas pensando em mim. Quem se apaixonou aqui não fui eu. - Arqueei as sobrancelhas, ainda sorrindo para ele. Apesar de que a última parte não era verdade, eu estava sendo bastante convincente ou era isso que eu achava. Vi a confusão passar de relance por seus olhos, mas logo depois desaparecer. Ele tinha aproximado nossos rostos e meu olhar havia caído sobre seus lábios, antes que ele pudesse dar qualquer resposta, colei nossos lábios, deixei que aquela sensação que sempre sentia quando nossas bocas tocavam-se me invadisse. Passei as mãos por seus cabelos e estremeci quando Henry levou as mãos até minhas costas e apertou meu corpo contra o dele.

19/2/2012 . 19 notes . Reblog
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Saí da casa onde Audrey tinha apresentado-se e apertei o casaco contra mim quando senti o vento forte rasgar minha pele. Arrependi-me ligeiramente te ter saído do navio, mas precisava vir falar com Audrey. Era minha única amiga de verdade e ela tinha dito que precisava conversar comigo urgentemente, então vim. Vi sua apresentação, falei com ela e agora iria voltar ao navio, pois ela tinha clientes para atender. Não pude negar que ao entrar lá, pensei em Henry e em como aquele lugar era a cara dele. Cheio de mulheres seminuas dançando em cima de um palco. Revirei os olhos ao perceber que já estava pensando nele novamente. Desde da noite que passamos juntos, dois dias haviam se passado e eu teimava em pensar nele. Não podia pensar e nem queria. Parecia uma garotinha boba apaixonada. Mas eu não estou apaixonada. Não. Não mesmo. Balancei a cabeça tentando afastar todos aqueles pensamentos e concentrei-me em caminhar até o navio que não era tão longe dali. Andava sem olhar para frente, apenas olhando para minhas botas que batiam contra as pedras e faziam um barulho um pouco alto demais. Distraída, acabei por esbarrar em um homem na minha frente. - Que merda! Você não olha por onde anda, não? - disse, apesar de que a distraída era eu, já puxando a adaga que guardava em minha cinta-liga, pronta para ferir o homem gravemente quando meus olhos encontraram aqueles malditos olhos negros que ocupavam minha mente faziam dias. Voltei a colocar a adaga onde estava e bufei. - Merda, Henry. 

Estava decidido a ignorar meus sentimentos por Lopie e Tyra. Iria ignora-los até que fossem embora e não voltassem mais. Decidi sair de minha cabine e ir à um cabaré, distrair-me com umas putas e ter uma noite agradável que fazia a muito que não tinha. Andei pela vila procurando um lugar sofisticado. Não encontrei, por tanto, resolvi visitar o habitual cabaré nojentinho perto do porto. Caminhei por entre ruas e ruelas, desviando de caminhos movimentados, na espera - vã - de não encontrar nenhuma das mulheres que me atordoavam a mente. Eu estava completamente perdido quando alguém esbarrou em mim. A mulher trovejou palavras não muito amistosas entre dentes e eu reconheci sua voz. Merda merda merda. O que diabos ela fazia perto de um cabaré? Senti algo formar-se dentro de mim. Senti a emoção intrusa que me invadia sempre que lembrava de Penélope. - Olá. - Disse, em tom casual. Eu não me importava com ela. Não podia me importar.

Ele parecia tão indiferente, dei de ombros. - Olá, Henry. - Falei, tentando parecer tão indiferente quanto ele, mas temia que não estivesse dado tão certo. Perguntei-me por um segundo o que ele faria por ali. Então lembrei-me que estava bem na frente de um cabaré. Ri sem emoção alguma. Por que estávamos no tratando tão friamente? - Veio se divertir? - perguntei o óbvio, levando o olhar para trás onde a movimentação era grande. Entrava e saía gente de lá. 

- Um homem tem necessidades, não? - Respondi, levantando uma de minhas sobrancelhas. Eu tratarei-a como qualquer uma, pensei, suspirando. - Bem, e o que você veio fazer aqui, Lopie? - Perguntei, sem nenhum tom de emoção na voz. Eu não sentia emoções, eu as bloqueara como quem bloqueia um raio de luz com uma parede. Notei que algo brilhou atrás dos olhos da mulher e senti meu firme muro de tijolos balançar, quase deixando a pequena radiação passar por entre as rachaduras. Inspirei fundo, mantendo o controle. Eu a magoaria se fosse preciso. Não podia suportar viver com todas aquelas sensações que ela me fazia sentir. Balancei a cabeça e voltei meu foco para manter a situação sob controle.

Pensar em Henry com qualquer outra puta dentro daquele cabaré, incomodou-me um pouco. Mas não era como se ele fosse minha propriedade ou qualquer coisa assim, Henry Scarr podia fazer qualquer coisa que quisesse. Eu não me importava.  Fechei os olhos tentando não pensar naquilo e me concentrando em não falar qualquer besteira. O vento forte esvoaçou meu cabelo, fazendo uma grande parte dele ir parar bem na frente do meus olhos, tirei os fios de meu rosto e joguei todo o cabelo para trás e o prendi em um coque rapidamente, já irritada com ele cobrindo meu rosto toda vez que o vento batia. Eu não iria mais me comportar como uma garotinha boba. Aproximei-me dele, nos deixando próximos o suficiente para que eu pudesse sussurrar e ele conseguisse ouvir. - O que você acha que vim fazer aqui, Scarr? - Perguntei, agora era minha vez de arquear as sobrancelhas. Queria ver a reação dele. Sorri. 

Mordi meus dentes. Não podia deixar que ela notasse o ciumes que sentia. Aproximei-me de seu ouvido. - Brincar de ser puta? Porque com a fantasia você já está, não? - Sussurrei, afastando-me com um meio sorriso no rosto. Queria irrita-la. Queria que ela desse um tapa em minha cara e me chamasse de cafajeste. Queria que ela me ignorasse. Que me tratasse mal. Seria mais fácil se o fizesse. Porém tampouco queria. Queria, no fundo talvez, que ela dissesse que gostava de mim. Espantei os pensamentos e as emoções com um dar de ombros e desviei-me de Penélope, indo em direção ao cabaré. Torcia para que ela me deixasse ir. Não sabia quanto tempo mais poderia sustentar aquela farsa.

Senti meu rosto pegar fogo, não iria deixar que ele saísse daquele jeito. Deveria estar muito feliz consigo mesmo pensando que eu tinha ficado totalmente aborrecida - e eu estava mesmo, mas não iria deixar ele perceber -. Antes dele se afastar totalmente, puxei seu braço e com a intenção de provocá-lo, passei os dois braços por seu pescoço e deixei nossos lábios bem próximos, tão próximos que podia sentir seu hálito fresco, por um momento quase me deixei levar por seus lábios. Eu sentia tanta falta dos lábios deles nos meus. Tratei de concentrar-me em provocá-lo, rocei nossos lábios levemente e afastei nossos rostos, porém ainda com os braços envolta de seu pescoço. Henry pareceu desnorteado por um momento, sorri sarcástica e sussurrei. - Bem, parece que você gosta dessa fantasia de puta, não é mesmo? 

Me senti desnorteado. Por que diabos ela nao agia como uma pessoa normal? Por que não me dava um tapa e saia andando para o outro lado? Senti meu rosto queimar. Eu parecia um adolescente. Mordi meus dentes. Estava com raiva. Com raiva de mim. De Penélope. Agarrei sua cintura e apertei seu corpo contra o meu. Sorri. Nossos lábios roçaram de leve quando sussurrei: - Eu gosto de qualquer puta meu bem. - Podia sentir seu halito. Podia sentir sua respiração. Eu queria beija-la, queria agarra-la. Me controlei, porém não diminui a distancia entre nossos corpos.

Revirei os olhos, visivelmente irritada. Puta qualquer. Como se eu já não tivesse escutado isso antes, mas ouvir dele incomodava-me de um jeito estranho. Nossos rostos estavam muito próximos e dava para ver que nenhum dos dois iria conseguir resistir por muito tempo. Alguma coisa dizia-me que eu seria a primeira a desistir do joguinho estúpido que estávamos jogando. Respirei fundo e tratei de focar-me em ser sensual, não era uma coisa tão difícil para mim, mas era tudo tão difícil com ele, que merda. Por que ele tinha que ser tão desejável? - Bem, Scarr. Você sabe muito bem que para você, eu não sou somente uma puta qualquer. - Disse, lembrando do que ele tinha me dito no navio. Que gostava de mim. - Você tem sentimentos por mim, Henry.  

16/2/2012 . 19 notes . Reblog
@Lenry

the-queen-annes-revenge:

lopie-lefevre:

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lopie-lefevre:

Saí da casa onde Audrey tinha apresentado-se e apertei o casaco contra mim quando senti o vento forte rasgar minha pele. Arrependi-me ligeiramente te ter saído do navio, mas precisava vir falar com Audrey. Era minha única amiga de verdade e ela tinha dito que precisava conversar comigo urgentemente, então vim. Vi sua apresentação, falei com ela e agora iria voltar ao navio, pois ela tinha clientes para atender. Não pude negar que ao entrar lá, pensei em Henry e em como aquele lugar era a cara dele. Cheio de mulheres seminuas dançando em cima de um palco. Revirei os olhos ao perceber que já estava pensando nele novamente. Desde da noite que passamos juntos, dois dias haviam se passado e eu teimava em pensar nele. Não podia pensar e nem queria. Parecia uma garotinha boba apaixonada. Mas eu não estou apaixonada. Não. Não mesmo. Balancei a cabeça tentando afastar todos aqueles pensamentos e concentrei-me em caminhar até o navio que não era tão longe dali. Andava sem olhar para frente, apenas olhando para minhas botas que batiam contra as pedras e faziam um barulho um pouco alto demais. Distraída, acabei por esbarrar em um homem na minha frente. - Que merda! Você não olha por onde anda, não? - disse, apesar de que a distraída era eu, já puxando a adaga que guardava em minha cinta-liga, pronta para ferir o homem gravemente quando meus olhos encontraram aqueles malditos olhos negros que ocupavam minha mente faziam dias. Voltei a colocar a adaga onde estava e bufei. - Merda, Henry. 

Estava decidido a ignorar meus sentimentos por Lopie e Tyra. Iria ignora-los até que fossem embora e não voltassem mais. Decidi sair de minha cabine e ir à um cabaré, distrair-me com umas putas e ter uma noite agradável que fazia a muito que não tinha. Andei pela vila procurando um lugar sofisticado. Não encontrei, por tanto, resolvi visitar o habitual cabaré nojentinho perto do porto. Caminhei por entre ruas e ruelas, desviando de caminhos movimentados, na espera - vã - de não encontrar nenhuma das mulheres que me atordoavam a mente. Eu estava completamente perdido quando alguém esbarrou em mim. A mulher trovejou palavras não muito amistosas entre dentes e eu reconheci sua voz. Merda merda merda. O que diabos ela fazia perto de um cabaré? Senti algo formar-se dentro de mim. Senti a emoção intrusa que me invadia sempre que lembrava de Penélope. - Olá. - Disse, em tom casual. Eu não me importava com ela. Não podia me importar.

Ele parecia tão indiferente, dei de ombros. - Olá, Henry. - Falei, tentando parecer tão indiferente quanto ele, mas temia que não estivesse dado tão certo. Perguntei-me por um segundo o que ele faria por ali. Então lembrei-me que estava bem na frente de um cabaré. Ri sem emoção alguma. Por que estávamos no tratando tão friamente? - Veio se divertir? - perguntei o óbvio, levando o olhar para trás onde a movimentação era grande. Entrava e saía gente de lá. 

- Um homem tem necessidades, não? - Respondi, levantando uma de minhas sobrancelhas. Eu tratarei-a como qualquer uma, pensei, suspirando. - Bem, e o que você veio fazer aqui, Lopie? - Perguntei, sem nenhum tom de emoção na voz. Eu não sentia emoções, eu as bloqueara como quem bloqueia um raio de luz com uma parede. Notei que algo brilhou atrás dos olhos da mulher e senti meu firme muro de tijolos balançar, quase deixando a pequena radiação passar por entre as rachaduras. Inspirei fundo, mantendo o controle. Eu a magoaria se fosse preciso. Não podia suportar viver com todas aquelas sensações que ela me fazia sentir. Balancei a cabeça e voltei meu foco para manter a situação sob controle.

Pensar em Henry com qualquer outra puta dentro daquele cabaré, incomodou-me um pouco. Mas não era como se ele fosse minha propriedade ou qualquer coisa assim, Henry Scarr podia fazer qualquer coisa que quisesse. Eu não me importava.  Fechei os olhos tentando não pensar naquilo e me concentrando em não falar qualquer besteira. O vento forte esvoaçou meu cabelo, fazendo uma grande parte dele ir parar bem na frente do meus olhos, tirei os fios de meu rosto e joguei todo o cabelo para trás e o prendi em um coque rapidamente, já irritada com ele cobrindo meu rosto toda vez que o vento batia. Eu não iria mais me comportar como uma garotinha boba. Aproximei-me dele, nos deixando próximos o suficiente para que eu pudesse sussurrar e ele conseguisse ouvir. - O que você acha que vim fazer aqui, Scarr? - Perguntei, agora era minha vez de arquear as sobrancelhas. Queria ver a reação dele. Sorri. 

Mordi meus dentes. Não podia deixar que ela notasse o ciumes que sentia. Aproximei-me de seu ouvido. - Brincar de ser puta? Porque com a fantasia você já está, não? - Sussurrei, afastando-me com um meio sorriso no rosto. Queria irrita-la. Queria que ela desse um tapa em minha cara e me chamasse de cafajeste. Queria que ela me ignorasse. Que me tratasse mal. Seria mais fácil se o fizesse. Porém tampouco queria. Queria, no fundo talvez, que ela dissesse que gostava de mim. Espantei os pensamentos e as emoções com um dar de ombros e desviei-me de Penélope, indo em direção ao cabaré. Torcia para que ela me deixasse ir. Não sabia quanto tempo mais poderia sustentar aquela farsa.

Senti meu rosto pegar fogo, não iria deixar que ele saísse daquele jeito. Deveria estar muito feliz consigo mesmo pensando que eu tinha ficado totalmente aborrecida - e eu estava mesmo, mas não iria deixar ele perceber -. Antes dele se afastar totalmente, puxei seu braço e com a intenção de provocá-lo, passei os dois braços por seu pescoço e deixei nossos lábios bem próximos, tão próximos que podia sentir seu hálito fresco, por um momento quase me deixei levar por seus lábios. Eu sentia tanta falta dos lábios deles nos meus. Tratei de concentrar-me em provocá-lo, rocei nossos lábios levemente e afastei nossos rostos, porém ainda com os braços envolta de seu pescoço. Henry pareceu desnorteado por um momento, sorri sarcástica e sussurrei. - Bem, parece que você gosta dessa fantasia de puta, não é mesmo? 

16/2/2012 . 19 notes . Reblog
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lopie-lefevre:

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Saí da casa onde Audrey tinha apresentado-se e apertei o casaco contra mim quando senti o vento forte rasgar minha pele. Arrependi-me ligeiramente te ter saído do navio, mas precisava vir falar com Audrey. Era minha única amiga de verdade e ela tinha dito que precisava conversar comigo urgentemente, então vim. Vi sua apresentação, falei com ela e agora iria voltar ao navio, pois ela tinha clientes para atender. Não pude negar que ao entrar lá, pensei em Henry e em como aquele lugar era a cara dele. Cheio de mulheres seminuas dançando em cima de um palco. Revirei os olhos ao perceber que já estava pensando nele novamente. Desde da noite que passamos juntos, dois dias haviam se passado e eu teimava em pensar nele. Não podia pensar e nem queria. Parecia uma garotinha boba apaixonada. Mas eu não estou apaixonada. Não. Não mesmo. Balancei a cabeça tentando afastar todos aqueles pensamentos e concentrei-me em caminhar até o navio que não era tão longe dali. Andava sem olhar para frente, apenas olhando para minhas botas que batiam contra as pedras e faziam um barulho um pouco alto demais. Distraída, acabei por esbarrar em um homem na minha frente. - Que merda! Você não olha por onde anda, não? - disse, apesar de que a distraída era eu, já puxando a adaga que guardava em minha cinta-liga, pronta para ferir o homem gravemente quando meus olhos encontraram aqueles malditos olhos negros que ocupavam minha mente faziam dias. Voltei a colocar a adaga onde estava e bufei. - Merda, Henry. 

Estava decidido a ignorar meus sentimentos por Lopie e Tyra. Iria ignora-los até que fossem embora e não voltassem mais. Decidi sair de minha cabine e ir à um cabaré, distrair-me com umas putas e ter uma noite agradável que fazia a muito que não tinha. Andei pela vila procurando um lugar sofisticado. Não encontrei, por tanto, resolvi visitar o habitual cabaré nojentinho perto do porto. Caminhei por entre ruas e ruelas, desviando de caminhos movimentados, na espera - vã - de não encontrar nenhuma das mulheres que me atordoavam a mente. Eu estava completamente perdido quando alguém esbarrou em mim. A mulher trovejou palavras não muito amistosas entre dentes e eu reconheci sua voz. Merda merda merda. O que diabos ela fazia perto de um cabaré? Senti algo formar-se dentro de mim. Senti a emoção intrusa que me invadia sempre que lembrava de Penélope. - Olá. - Disse, em tom casual. Eu não me importava com ela. Não podia me importar.

Ele parecia tão indiferente, dei de ombros. - Olá, Henry. - Falei, tentando parecer tão indiferente quanto ele, mas temia que não estivesse dado tão certo. Perguntei-me por um segundo o que ele faria por ali. Então lembrei-me que estava bem na frente de um cabaré. Ri sem emoção alguma. Por que estávamos no tratando tão friamente? - Veio se divertir? - perguntei o óbvio, levando o olhar para trás onde a movimentação era grande. Entrava e saía gente de lá. 

- Um homem tem necessidades, não? - Respondi, levantando uma de minhas sobrancelhas. Eu tratarei-a como qualquer uma, pensei, suspirando. - Bem, e o que você veio fazer aqui, Lopie? - Perguntei, sem nenhum tom de emoção na voz. Eu não sentia emoções, eu as bloqueara como quem bloqueia um raio de luz com uma parede. Notei que algo brilhou atrás dos olhos da mulher e senti meu firme muro de tijolos balançar, quase deixando a pequena radiação passar por entre as rachaduras. Inspirei fundo, mantendo o controle. Eu a magoaria se fosse preciso. Não podia suportar viver com todas aquelas sensações que ela me fazia sentir. Balancei a cabeça e voltei meu foco para manter a situação sob controle.

Pensar em Henry com qualquer outra puta dentro daquele cabaré, incomodou-me um pouco. Mas não era como se ele fosse minha propriedade ou qualquer coisa assim, Henry Scarr podia fazer qualquer coisa que quisesse. Eu não me importava.  Fechei os olhos tentando não pensar naquilo e me concentrando em não falar qualquer besteira. O vento forte esvoaçou meu cabelo, fazendo uma grande parte dele ir parar bem na frente do meus olhos, tirei os fios de meu rosto e joguei todo o cabelo para trás e o prendi em um coque rapidamente, já irritada com ele cobrindo meu rosto toda vez que o vento batia. Eu não iria mais me comportar como uma garotinha boba. Aproximei-me dele, nos deixando próximos o suficiente para que eu pudesse sussurrar e ele conseguisse ouvir. - O que você acha que vim fazer aqui, Scarr? - Perguntei, agora era minha vez de arquear as sobrancelhas. Queria ver a reação dele. Sorri. 

13/2/2012 . 19 notes . Reblog